O amor que enxerga
Não porque somos bons, não porque estamos limpos, não porque merecemos. Ele ama sabendo exatamente quem somos e isso deveria nos constranger profundamente.
Esse amor dói porque desmonta a mentira de que temos algo a oferecer a Deus. Dói porque revela que não somos apenas vítimas, mas pecadores necessitados de redenção. Dói porque o amor de Cristo não massageia o ego, ele crucifica o velho homem.
Jesus não disse “amai-vos de forma confortável”, Ele disse “assim como Eu vos amei”. E Ele amou com verdade, entrega, confronto e cruz.
O amor de Cristo não negocia com o pecado, não chama trevas de luz, não adapta o evangelho para ser aceito. Ele ama para transformar, não para confirmar quem continuamos sendo. Por isso, quando esse amor nos alcança de verdade, ele expõe o coração e nos coloca diante de uma escolha inevitável: resistir à verdade ou ser libertos por ela.
Porque só a verdade liberta, mesmo quando fere primeiro.
Não é sobre parecer discípulo, é sobre ser reconhecido como tal. E isso só acontece quando deixamos o amor de Cristo nos despir, nos quebrar e nos refazer.
O cristianismo não é romântico, é sacrificial. Não é confortável, é redentor. Não nos preserva intactos, nos faz novos.
O amor que Cristo oferece não agrada à carne, mas salva a alma.
Ele vê tudo o que somos e mesmo assim escolheu a cruz. E quem é alcançado por esse amor jamais permanece o mesmo.
Antes mesmo de crer, minha história já era marcada por uma infância dura e uma adolescência cheia de excessos. Eu nem acreditava em Deus, e ainda assim Ele me cuidava. Enquanto eu estava quebrada e suja, Ele já me amava.
Neste domingo, na igreja, ouvi algo que me confrontou profundamente: o amor de Deus enxerga de forma correta. Ele não ama uma versão editada de nós. Ele vê tudo. E, ainda assim, ama. O pastor também falou que somos chamados a amar as pessoas com esse mesmo amor de Cristo sincero, verdadeiro sem fingir que não existe maldade, porque essa maldade também habita em nós.
Ali entendi: quando tento controlar, escondo. Quando me rendo, sou vista. O amor de Cristo não confirma minha religiosidade, ele a desmonta. Não preserva aparências, mata o velho homem e faz nascer uma fé real. Alba ferreira.
Senhor Jesus, não nos ame segundo o que fingimos ser, mas segundo o que Tu realmente vês. Examina o nosso coração, expõe o que precisa morrer e forma em nós a Tua vida. Livra-nos de um amor confortável e conduz-nos ao amor que transforma, confronta e salva. Que sejamos reconhecidos como Teus discípulos não por palavras, mas por uma vida rendida à verdade. Em teu nome Jesus oramos, Amém.
Por: Alba Ferreira

Comentários
Postar um comentário