Os esquecidos que Deus vê
Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. Lucas 19:10
Este texto nasce de algo simples: uma cena de uma série. Mas o que parecia apenas ficção revelou uma verdade profunda sobre o evangelho, o serviço cristão e o tipo de fé que quase não se vê mais. Ao olhar para o passado, somos confrontados com o presente e, principalmente, com o nosso próprio coração.
Vi uma série que chamou minha atenção por mencionar os Cavaleiros de São Lázaro. Na história, eles ajudavam aqueles que ninguém queria ajudar, protegiam os fracos e aceitavam a perseguição por fazerem isso. No início, pensei que fosse apenas ficção. Mas, ao conhecer a verdadeira história e suas raízes históricas, algo me confrontou profundamente.
Não eram heróis gloriosos. Eram homens marcados pela doença, pelo rejeição e pela exclusão. Ainda assim, escolheram servir. Cuidaram daqueles que o mundo havia descartado. Caminharam com os “intocáveis”. E, nesse serviço silencioso, refletiram algo que hoje parece cada vez mais raro de se ver.
Cristo não se aproximou dos fortes para ser aplaudido, mas dos quebrados para ser rejeitado. Tocou o
leproso. Caminhou com os
marginalizados. Amou aqueles que nada tinham a oferecer. E, por esse amor, foi perseguido, desprezado e levado à
cruz.
Seguir a Cristo nunca foi confortável. Nunca foi popular. Nunca foi seguro aos olhos do mundo. O evangelho não nos chama a uma fé decorativa, mas a uma fé que carrega a cruz. Uma fé que enxerga o “Lázaro” de hoje o esquecido, o ferido, o que incomoda e decide amar, mesmo quando isso custa.
Talvez o admirável não seja que isso tenha existido no passado, mas que hoje seja tão raro.
E a pergunta que permanece não é histórica, mas pessoal: A quem estou disposto a amar quando não há reconhecimento, apenas obediência?
Antes de me chamar para amar os esquecidos, preciso me lembrar que Cristo me encontrou quando eu me sentia esquecida. Ou, pelo menos, era assim que eu acreditava estar.
Ele me viu. Ele me alcançou. Ele me restaurou.
Hoje, entendo que minha dor não foi o fim da minha história. Deus está usando aquilo que vivi para alcançar outras pessoas. Eu escolho não reproduzir aquilo que fizeram comigo. Eu escolho permitir que meus sofrimentos se tornem instrumentos de graça na vida de outros.
Porque Cristo ainda restaura. Ainda cura. Ainda transforma.
E quando minha dor se torna um caminho de restauração para alguém, eu me torno um pouco mais parecida com Cristo, que sendo inocente, escolheu sofrer para que nós pudéssemos receber vida.
Oração
Senhor, livra-nos de uma fé que busca aplausos e conforto. Ensina-nos a
enxergar como Tu enxergas e a amar quem o mundo ignora. Que não sirvamos por mérito, mas por gratidão; não por reconhecimento, mas por obediência. Confronta nosso coração, purifica nossas motivações e faz de nós instrumentos da Tua graça, mesmo quando amar custar. Em nome de Jesus. Amém.
Por: Alba Ferreira
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